Thursday, December 7, 2017

O fim da Amamentação

E a nossa jornada da amamentação chegou ao fim. Foram quase 3 anos. Para ser exata, 34 meses e uma semana. Sim, a gente conta os dias quando amamenta hahahahaha Como ouvi dizer por aí, a gente não sabe que o último dia de amamentação é o último dia e foi assim com a gente também, então não rolou nenhuma fotinho de despedida. Temos a da primeira mamada, mas não da última.

Arquivo Pessoal

Aqui o desmame não foi exatamente voluntário, mas foi gentil, o que era algo muito importante para mim. Quando nossa jornada começou, eu jamais achei que chegaria até aqui. Quem acompanha o blog já faz algum tempo, deve lembrar do meu post desabafo sobre os perrengues da amamentação. Nestes quase 3 anos, teve outros períodos difíceis também, mas superamos todos eles e chegamos ao fim da nossa história. 

Amamentar até esta idade é um sucesso que não alcançamos sozinhos. Tive muito apoio do marido, família, amigos e profissionais de saúde incríveis. Eu não tive sequer um profissional de saúde que fizesse qualquer comentário de que amamentar não era mais uma boa ideia, mesmo com o mundo de profissionais que vimos por conta do problema de constipação idiopática do pandinha. Eu sei que isto é um privilégio que poucas mães têm.

Eu amementei em um mundo de lugares diferentes: museus, aeroportos, aviões, barcos, ônibus, praia, em frente de monumentos, enquanto fazia trilha, parques de diversões... Eu segui a amamentação em livre demanda, então onde quer que fosse que Pandinha pedisse para mamar, ele tinha o peito. Havia períodos que ele era igual reloginho para amamentar e houveram outros que ele passava o dia e a noite grudado nos peitos. Houveram momentos que eu achava que o menino ia amamentar para sempre hahahaha

E porquê eu decidi parar de amamentar? Desde Dezembro de 2016, meu anticoncepcional parou de ter o efeito desejado para a minha endometriose, com isso, tenho sangramento forte e dores terríveis. Além da endometriose, eu tenho síndrome de tensão pré-menstrual severa, então, dentro do meu ciclo, eu tenho a TPM intensa, que chega uns 5 dias antes da menstruação mais os mesmos sintomas durante a menstrução que dura 8 dias. E amamentar durante estes 12-13 dias era muito difícil. Mastite, mamilo sangrando, tudo isso passou a ser fichinha comparado ao que sentia durante a amamentação durante este período. 

Eu nunca gostei de ninguém tocando nos meus mamilos, amamentar era diferente, no entanto, amamentar neste período em que os mamilos estão super sensíveis e doloridos, e com dor em quase todas as partes do corpo, minha paciência no ponto em que uma respiradas das pessoas me irritavam; amamentar se tornou bem, bem difícil no período menstrual. Era quase um revival de puerpério todos os meses. Apesar dos pesares, segui amamentando, mesmo ele tendo dois anos. Eu senti que ele não estava pronto, afinal, ele ficava grudado no peito e não queria fazer um desmame abrupto.

Nós fazemos cama compartilhada, então havia períodos em que Pandinha mamava o dia inteiro e a noite inteira. O primeiro passo no processo de desmame do pequeno foi o de tentar tirar as mamadas da madrugada. Eu sempre dormi com roupa prática para amamentar, então ele mesmo tinha livre acesso para abaixar minha blusa e mamar. Estas eram mamadas que ele fazia meio dormindo. Ele se mexia na cama, abaixava minha blusa e caia de volta no sono após um minuto de mamada. Após alguns meses de muitas conversas sobre a necessidade de eu e ele dormirmos de madrugada, passei a utilizar roupas que dificultavam o acesso ao peito. Eu sempre tive muito claro para mim que se causasse algum estress para ele, daria o peito. Felizmente, ele aceitou bem. Quando ele acordava de madrugada, tentava abaixar minha camiseta e como não conseguia, voltava a dormir sem chorar. Esta parte foi bem rápida, mas durante o dia, ainda havia períodos que se estivéssemos juntos, ele só queria peito. Depois que passamos algumas semanas sem o peito de madrugada, decidi diminuir as mamadas de tarde. Estas foram bem fáceis, para minha surpresa. Nosso tempo junto era todo ocupado com diversas brincadeiras, assim ele nem lembrava do peito.  Ficamos apenas com as mamadas antes da soneca da tarde e a mamada antes de dormir. Eu e ele concordamos em um tempo que ele poderia mamar por noite, enquanto na soneca da  tarde, ele mamava o quanto quisesse. Passamos a ter dias em que ele ia dormir sem nem lembrar do mamá. Fomos gradativamente reduzindo o tempo. Quando chegamos à um minuto, ele passou a esquecer com muito mais frequência. Durante todo este tempo, sempre conversavamos sobre como em alguns períodos estava difícil para eu amamentá-lo e que conforme a gente vai crescendo, vai deixando o peito, que é um processo natural e que eu continuaria enquanto ele quissesse, mas que seria bacana a gente começar a pensar em parar. Depois que ele passou vários dias sem lembrar, ele pediu e eu perguntei se ele queria tomar água ao invés do peito; ele aceitou. Durante uns 10 dias ele ainda pedia o peito e eu oferecia água que ele aceitava imediatamente. Só considerei que ele desmamou mesmo quando completamos um mês após a última mamada dele. Para minha maior surpresa, não houve lágrimas no nosso desmame, não houve retirada abrupta e não tenho ideia como seria se as coisas tivessem sido mais difíceis.

Como comentei no começo, nosso desmame não foi voluntário, mas foi respeitando ao máximo o meu tempo e o dele. Não foi algo que aconteceu do dia para noite. Se olharmos para todos os detalhes que envolveram o desmame, eu diria que o processo durou mais de 6 meses. Houveram momentos que eu achei que eu não iria aguentar e iria precisar fazer um desmame abrupto no meio do processo rsrs mas há um pouco mais de dois meses de completar 3 anos, meu pequeno, eu e o meu peito tiveram seu último encontro rsrs.

Agora ficam as memórias e as fotos. Esta é uma das minhas favoritas, nós em SanDiego,  mais especificamente na calçada da La Jolla Cove!

Arquivo Pessoal

Thursday, November 2, 2017

Das confusões dos pais

Chegamos à um novo capítulo da vida de pais: Pandinha começou na escola. Um tema que rende muitos posts, mas a primeira coisa que quero escrever aqui são sobre os pensamentos de impasse que estamos tendo referente ao futuro escolar do pequeno, portanto, se o post ficar confuso, é puro reflexo de nossa confusão rsrs.

Pandinha começou em uma escola privada com filosofia Montessori.

Analisar de forma comparativa as diferentes metodologias e filosofias educacionais é algo complicado de se fazer de forma científica. Há diversas limitações e por conta destas limitações, há poucos estudos disponíveis e os resultados dos estudos costumam ser inconsistentes. Quando estava a pesquisar qual método gostaria que o Pandinha tivesse na escola, teve um estudo que eu encontrei em que todos os métodos para tentar eliminar as limitações na pesquisa me pareceram ser abordados de forma eficiente. O estudo "Evaluating Montessori Education" da Angeline Lillard e Nicole Else-Quest é um estudo longitudinal excelente que faz um interessante comparativo entre o ensino Montessori e o ensino Tradicional. Aliás que Lillard tem diversos estudos publicados com análises sobre o método Montessori que valem a pena ler se alguém por aí tiver interesse. Enfim, o resumo da ópera nesta pesquisa específica é que, na escola Montessori, os resultados de testes padrões que analisam desempenho acadêmico dos estudantes foram comparáveis ou superiores ao dos estudantes que frequentaram a escola pública tradicional. Bacana né? No entanto, os resultados que mais me chamaram atenção foram dos testes realizados quando as crianças completaram 12 anos de idade: as crianças que frequentavam a escola Montessori tinham atitudes mais positivas direcionadas à desafios e dilemas; e também apresentavam um maior senso de comunidade do que as crianças que frequentavam a escola do método tradicional.

Teor acadêmico é extremamente importante aqui em casa, mas o que me fez escolher o método Montessori foram os resultados referentes ao social e não a parte acadêmica. Se esta foi a parte que me fez decidir sobre matriculá-lo na escola Montessori, por que estou na dúvida de qualquer coisa? Apesar de estar extremamente satisfeita com a escola e o quê o Pandinha está vivendo por lá, estamos com dúvidas quando ele chegar no Kindergaten, ou o ano de Educação Infantil para crianças de 5 anos, o que no caso do Pandinha vai ser quase 6 pois ele faz aniversário em Dezembro e aqui o corte para escola é primeiro de Setembro, ou seja, ele precisa estar com 5 anos completos quando o ano escolar se inicia e isto ocorre em Setembro na terra do Tio Sam.

E qual a dúvida? Vivemos em uma bolha de privilégios e é esta bolha que me deixa no impasse. Moramos em uma cidade com excelentes escolas púbicas. Moro em cidade pequena em que a economia gira praticamente ao redor do hospital Mayo Clinic, isso quer dizer que a maioria dos habitantes estão ligados ao hospital, isso significa que a maioria das famílias são classe média com pais com no mínimo nível superior completo. Por que é importante eu citar isso? Por muitos fatores. O que determina a qualidade de uma escola não é somente a quantidade de incentivo financeiro que a escola recebe, ela está relacionado também com o tipo de estudante que frequenta a escola. Comunidades em que os pais têm maiores condições de incentivar seus filhos: como acesso à bibliotecas, os pais têm tempo e acompanham a educação da criança, o envolvimento das famílias na escola é alto, entres outras coisas, consequentemente têm escolas melhores. E é isso que acontece aqui em nossa cidade, a comunidade é bem envolvida nas escolas. 

Academicamente falando, eu não tenho dúvida que qualquer escola que eu enviar meu filho, ele vai ter oportunidade de se sobressair no que for que ele se empenhe. No entanto, as duas partes que me colocam no impasse são a competitividade predominante nas escolas tradicionais americanas e a falta de exposição aos diferentes grupos sócio ecônomicos predominantes nas escolas privadas.

Eu moro na bolha certo? Meu filho nas escola privada é a bolha dentro da bolha social. Sim, mesmo nas escolas públicas, devido ao local que moramos,  Pandinha provavelmente não vai ter muitas possibilidades de interagir com colegas de classe que vão ter uma situação financeira diferente  da nossa, mas é uma possibilidade que definitivamente não existe enquanto ele estiver na escola privada. Masss, a ideia de enviá-lo a uma escola pautada na cultura da competição me incomoda, muito. Eu sei que para todos estes itens, o que rolar dentro da nossa casa vai ter um peso significativo para o que ele vai seguir, no entanto, preciso olhar com cuidado pois a escola é o maior meio social que nossos filhos vivem. É onde eles aprendem de forma efetiva o que é fazer parte de uma comunidade, como interagir com outras pessoas usando como alicerce o que eles aprenderam em casa. Enfim, escola é a maquete de sociedade deles e estamos pensando um bocado em qual dos lados a nossa vida dentro de casa consegue compensar da melhor forma possível.

Talvez eu esteja pensando demais sobre isso, marido definitivamente está menos preocupado do que eu neste quesito. Ainda temos dois anos para decidir, pois vou manter pandinha na Montessori com absoluta certeza até os 5 anos, ou seja, ainda vai ter um monte de post confusos sobre esta decisão pelos próximos anos rsrs

Monday, October 23, 2017

Tem dias que a saudade fica mais apertada

Uma das minhas melhores amigas no Brasil recentemente teve filhos. Isso mesmo, filhoS no plural, ela e o marido tiveram gêmeos. A felicidade e emoção de acompanhar mais esta fase na vida dela, conciliada com esta distância física que nos separa, faz com que a nostalgia e a saudade batam forte por aqui. Então, a gente usa a eterna ferramenta da escrita para exorcizar este sentimento todo que nos arremete em momentos tão únicos. 

Eu já escrevi dela por aqui no blog e assim como foi no post antigo, não consigo falar de S. sem falar de L. As duas chegaram na minha vida em contextos diferentes mas na mesma época. S. era minha vizinha de rua, mas só viramos amigas quando nos encontramos na praia :-). Eu e L. nos conhecemos na escola, no meu primeiro dia de aula na primeira série. A vida escolar nos tornou um trio que foi muito além da sala de aula e corredores da escola. Estudamos juntas até o fim do Ensino Fundamental. Fizemos Ensino Médio em instituições diferentes, faculdades em cursos diferentes e instituições diferentes e hoje eu estou em outro país, mas nada disso mudou a amizade que construímos em bases bem sólidas, 27 anos atrás. E olha que um bocado de gente achou que nossa amizade não "vingaria,"principalmente quando me mudei de país, acho que de certa forma, até nós ficamos em dúvida. Não somos aquelas amigas que sentam e fazem pactos e juras de amizade eterna rsrs a solidez de nossa amizade dá conta disso sem grandes atos. 

Somos daquelas amigas que falam o que tem que falar porque sabemos exatamente o valor que se tem nesta sinceridade. Já brigamos, mas nunca nos separamos rsrsrs Sei que posso contar com elas para absolutamente tudo na minha vida!! Somos opostas em milhões de coisas, somos iguais em tantas outras! Elas me conhecem como nem o marido me conhece. Elas conhecem cada detalhe do meu passado, sabem das minhas chatices, me falam o que eu preciso ouvir no momento que preciso ouvir, ou simplesmente me escutam, quando sabem que é tudo que eu preciso. Conhecem cada manha, cada sonho... Tudo... segredos que nem minha família conhece... 

Viajamos juntas, fizemos "Sobrevivência na Selva" juntas, passamos incontáveis tardes comendo um monte de porcarias e assistindo filmes de terror juntas... Muitas outras, conversando sobre assuntos existencialistas, ou meninos, ou animais... As confidências, todas as "primeiras vezes," estávamos sempre lá para rirmos, chorarmos ou xingarmos, juntas! Elas sempre estiveram do meu lado, e eu sempre estive do delas, mesmo que nem sempre fisicamente.

Não importa quantos amigos passaram e chegaram em nossas vidas, devido aos caminhos que seguimos, já nem temos tantos amigos em comum mais, mas nós três sabemos que a nossa amizade é estável. Assim como minhas irmãs nunca vão deixar de ser minhas irmãs, estas duas nunca vão deixar de ser parte essencial da minha vida!

Todas as vezes que vou ao Brasil, as duas mudam completamente suas vidas apenas para me acomodarem em suas agendas. Se desdobram em mil. Quantas pessoas vocês conhecem que gastariam dinheiro para turistar em Michigan? Pois é, é preciso ter todo um apelo emocional muito grande para alguém gastar uma nota e escolher Michigan como destino de férias saindo do Brasil rsrs Obviamente que as duas já o fizeram, apenas para passarmos tempo juntas. Elas podiam ter ido para NYC, Califórnia ou qualquer outra cidade turística por aqui, mas não, elas foram me ver em Ann Arbor.

Queria muito mesmo estar no Brasil neste momento, conhecer a nova duplinha que chegou, abraçar os novos pais que nasceram, sentar a bunda e reclamar do mundo para as duas, rir de doer a barriga das merdas que falamos, dar bronca onde achar que merece bronca, encher de orgulho dos milhões de coisas que conquistamos neste tempo que estamos sem nos ver. Enfim, tapamos o buraco como dá com o advento da internet rsrsrs mas a falta da presença física tem dia que fica bem mais apertada.

Sunday, October 15, 2017

Cagar não deveria ser tão complicado!

Ou na língua original que foi dito: “pooping shouldn’t be this complicated.” Este post não é de interesse para a maioria massante, mas é para mim, para olhar aqui em um futuro (espero que não muito distante) e rir a respeito, ao invés de chorar, que é o que rola agora.

Pandinha está com constipação idiopática, ou seja, não sabemos o motivo de ele não conseguir fazer cocô. Beleza, um monte de crianças sofrem disso também. Eu sei. Deve passar. Então por que as lágrimas? Porquê está phoda, muito phoda. Perdoem meu francês. 

Estamos neste estress há quase um ano. O problema maior: Pandinha está perdendo peso. Muito. De 95 percentil de peso, ele caiu para 30 percentil. Para vocês terem uma ideia do que isso significa, com 2 anos e 10 meses ele está de volta ao peso de quando ele tinha uns 20 meses ou menos, não me lembro exatamente agora. As calças dele estão caindo, pois ele continua esticando. Criança nesta idade, em condições normais, não é pra perder peso, então estamos com milhōes de sinais vermelhos por aqui. 

Estamos exaustos, principalmente emocionalmente. Os detalhes desta infeliz constipação: o cocô é mole, o problema é que meu filho não quer cagar. Ele segura as fezes por dias. Teve uma época que chegava a 10 dias, e ele nunca caga voluntariamente. NUNCA. A coisa é assim, pensa em uma situação em que você precisa muito ir ao banheiro, mas não tem nenhum lugar próximo e você precisa segurar? É este o estado que ele fica, mesmo tendo a possibilidade de fazer o cocô. Como ele precisa cagar mas quer segurar a merda, ele faz de um tudo, como por exemplo, se recusar a andar nos momentos mais crpiticos da vontade de fazer cocô. Ele fica sentadinho, contraindo as nádegas para impedir o cocô de sair. Aí, nos dias extremos (aka as fezes estão na porta), ele come menos, pois comer aumenta movimentos peristálticos e ele já se ligou que ele sente mais vontade de fazer cocô com as refeições. Achamos que este talvez seja o motivo de ele estar perdendo peso, mas estamos só no campo dos achismos por aqui. Já rolou (muitas) consultas com pediatra, gastroenterologista, nutricionista e agora estamos aguardando a consulta com psicóloga e resultados de alguns exames que não sairam ainda. Meu filho, que ficava de boa nas consultas pois só ia em médico nos exames de rotina, agora fica ansioso só de ver a porta da clínica. 

Por hora, todas as teorias de problemas físicos não se mantiveram, então seguimos com a teoria de que é comportamental: em algum momento ele fez um cocô que doeu e passou a ficar com medo de cagar e por isso segura. Por muito tempo eu acreditei que esta era sim a causa mais provável, no entanto, não conseguimos lembrar da situação específica que possa ter originado isso. Tem mais, em 10 meses, mesmo quando não medicado, ele nunca teve um cocô duro. Faz meses que ele está sendo medicado. No momento, ele está a tomar uma dose cavalar, e mesmo com diarréia, eu tenho que segurá-lo de pernas abertas para que ele não consiga mais segurar o cocô. Quanto mais tempo segurando o cocô, maiores são as chances de ele ficar duro e aí mais difícil de sair, tendo que recorrer a supositórios e coisas do tipo. Então temos que escolher entre “forçar” meu filho a ficar no meu colo com as perninhas abertas ou enfiar algo no reto dele. Obviamente que deixar ele sentado no meu colo eu acho menos pior para ele, no entanto, como disse, ele quer segurar o cocô, então quando coloco ele sentado no meu colo, ele quer sair para sentar de uma forma que ele possa contrair as nádegas. Tudo isso é regado com lágrimas do meu pequeno e mais tarde, algumas minhas também. Aí quando ele não consegue mais segurar e o cocô começa a sair, ele fica super tranquilo e a gente bate “mor” papo. O que de certa forma contribui para a teoria de ser comportamental, pois o problema é antes do cocô sair, durante, ele não sente dor. O que me joga para duvidar da teoria de comportamental é que mesmo cocô que sai água pura, ele ainda faz força para o cocô sair. Muita mesmo, a ponto de ficar mega vermelho e suar do cabelo ficar molhado. Este fim de semana que passou, tivemos que induzí-lo a uma super diarréias. Para quem estiver familiarizado, foi um processo parecido com o de preparo para uma colonoscopia. :-(  Outro motivo para o meu questionamento é que ele está perdendo um bocado de peso, mas ele come muito bem no geral e ainda mama, não sei se com os dias que ele come menos dá para justificar o tanto de peso que ele está perdendo. Já descartamos um bocado de coisa e agora na lista está ficando só as coisas mais graves e exames mais perigosos, fora a possibilidade de ser apenas comportamental.  

Como disse, está phoda. Muito phoda. Obviamente que a vida não parou e joga merda para gente dos outros lados também e a gente não consegue parar para focar só neste problema dele: sogra foi diagnosticada com câncer de mama pela segunda vez; meu pai continua nas suas idas e vindas na UTI cardíaca; Trump é o presidente dos EUA; Dória e Bolsonaro focando no Brasil 2018... Está fácil não.

Verdade seja dita, a vida não está só com as coisas ruins não: marido está mega feliz no trabalho, acabamos de visitar a Disneyland com Pandinha e ele amou, estamos com saúde, inclusive a Lua; estou finalmente podendo aproveitar uma vida com tempo para viajar e sem ter que trabalhar fora de casa loucamente o tempo todo sem saber o que é fim de semana ou feriado; nossa casa nova está cada vez mais com jeito de lar e várias outras coisas boas. Então é isso, sim, poderia ser bem pior, o que não faz com que agora seja menos phoda :-). 

Sei que não parece nem um pouco com meus posts, mas este é post desabafo total e não pensado com cuidado para ser escrito. 

Tuesday, May 16, 2017

Especial

Aproveitando a minha atual vida de desempregada rsrsrs fui de mala novamente em viagem de trabalho do marido, desta vez fomos para San Francisco. No entanto, este post não é para falar da cidade, depois até vou publicar um post sobre como foi nossa visão da cidade depois de tantos anos que estivemos por lá e agora com a adição do Pandinha, mas por hora, quero falar de como, mais uma vez, pessoas me fazem me sentir especial.

Esta viagem para SanFran foi curtinha, apenas 5 dias. Pensamos em alongar e pegar uns dias de férias, mas como comentei, é nossa segunda vez por lá, então optamos por ficar só os dias básicos que marido ia estar trabalhando mesmo. Nestes 5 dias, amigos queridos (incluindo uma amiga que fiz aqui no blog) se deslocaram um "poucão" só para ir me ver. 

Nosso primeiro encontro foi com minha antiga colega de casa de Cleveland. J. fez faculdade de medicina com marido e eu morei com ela por quase um ano quando estávamos em Cleveland. J. é família para nós. Não é a primeira vez que ela se desloca um montão só para nos ver. Agora em SanFran, ela viajou de carro, grávida, por quase 3 horas para passar uma tarde com a gente. Isso mesmo, 3 horas no carro para passar uma tarde com a gente, tarde que incluiu parar em parques para Pandinha ir em balanços e escorregadores que ele ama de montão e também me ajudar a trocar fralda de cocô explosivo no banheiro feminino :-) 

Nosso segundo encontro foi com o casal a quem devo agradecer por marido ter entrado na minha vida. Ela foi minha supervisora no laboratório da Cleveland Clinic. Ele, na época namorado dela (hoje marido), morava junto com meu marido. Em uma bela noite, ele convidou marido para ir em um clube de salsa com um monte de brasileiras, marido aceitou e o resto é história. Hoje, eles estão casados e moram em Palo Alto com dois filhos. O caçulinha deles estava doente, mesmo assim, eles abriram a casa deles para nós e mudaram toda a agenda de trabalho deles para passar um dia conosco. Estar com eles é como estar em casa. Nos conhecemos desde o começo de tudo rsrs do relacionamento deles e do nosso. Crescemos juntos em nossos relacionamentos, sendo o conforto e encorajamento uns dos outros em milhares de momentos nos últimos 10 anos. Agora vamos crescendo juntos como pais também. Nossos pequenos têm idades parecidas e para evidenciar ainda mais que somos família, Pandinha não queria largar deles e dos filhos deles; tudo os pequenos tinham que fazer juntos. Foi muito amor este reencontro e uma dor no coração por ter sido tão curto. 

O último encontro foi com a Paulistana, que viajou por volta de uma hora só para nos conhecermos pessoalmente. Ela ainda encarou ir no aquário comigo e com Pandinha que estava de mau humor hahaha e de rodar por um pouco de SanFran. Passamos uma manhã deliciosa e ela é uma fofa também fora da blogosfera. Falamos de um mundo de coisas e faltou horas para batermos mais papo. Espero que este seja o primeiro de muitos encontros.

Então é isto, este post é só uma lembrança para mim mesma que não importa o quão difícil as coisas podem ser, ver os sacrifícios que as pessoas fazem apenas para poder te dar um abraço, definitivamente nos faz nos sentirmos infinitamente especial! 

Wednesday, April 19, 2017

Esta coisa de sobrenome

Eu já falei sobre este mesmo assunto quando me casei e sobre a minha opção em acrescentar o sobrenome do meu marido ao meu sobrenome. Eu já perdi as contas de quantas vezes me perguntam se ter três sobrenomes atrapalham, minha resposta é sempre a mesma: não. Vou fazer um "recap" aqui sobre sobrenomes na minha vida :-)

Sobrenome, para mim, é mais do que sobrenome. Os nomes após o meu primeiro nome também representam minha cultura, minha família, minhas raízes. Quero ressaltar isso milhões de vezes, este valor do sobrenome é um valor que eu atribuo. Não existe certo ou errado na hora da escolha do sobrenome. Existe a sua vontade individual, os valores que você atribui; os seus motivos para sua escolha. A escolha do nosso sobrenome não altera a vida de ninguém, apenas a sua. Eu escolhi ter três sobrenomes sem hífen em um país que normalmente as pessoa tem apenas um sobrenome. Não, eu não fiz algum sobrenome meu virar nome do meio, eu tenho oficialmente 3 sobrenomes. Meus sobrenomes nem são bonitos ou diferentes rsrs eles são inifinitamente comuns no Brasil, mas são meus e para mim representam minha história, por isso tenho os três. Tenho problemas por conta deles? Acho que problema também é algo relativo né? Por exemplo, para mim foi super mega tranquilo mudar meu nome em todos meu documentos; para mim é super mega tranquilo quando as pessoas ficam confusas e não sabem do que me chamar e me chamam pelo primeiro nome com a pronúncia errada rsrsrs Para mim, é exatamente o contrário de problema; meu sobrenome quebra gelo e é tópico de conversas super interessantes entre amigos :-) Em 6 anos morando nos EUA com três sobrenomes, eu tive apenas dois encontros "problemáticos" por assim dizer:

1. Quando fui mudar meu nome no Social Security Card (meio que um parente em função comparado com o CPF) a senhora que me atendeu foi meio grossa e me sugeriu mudar meu nome pois não cabia tudo no papel. Me recusei e no meu SSC faltam duas letras do meu nome. Isso me trouxe algum problema real? Nenhum, pois no sistema do SS consta meu nome completo e quando as pessoas pedem seu SS eles pedem o número e não o cartão.

2. Uma única vez, um agente de segurança no aeroporto não queria me deixar passar pela segurança porque faltavam 3 letras do meu nome no meu cartão de embarque. Voltei no balcão da Delta e a funcionária ficou puta e reclamou que os agentes novos queriam mostrar serviço e faziam umas merdas absurdas. Ela então, foi comigo até a área de segurança para discutir com o agente caso ele não deixasse eu passar. Na segunda tentativa foi outro agente que verificava documentos e este me deixou passar sem nenhum problema.

Acho que em 6 anos, só ter estes dois eventos não torna meu nome nem um pouco problemático, né?

Depois da pergunta sobre meu sobrenome atrapalhar, a pergunta que mais escuto é como ficou o nome do Pandinha?

Então agora vem a fase dois e o fato deste post "repetido" sobre sobrenome.

Muito antes da gravidez, marido e eu já conversavámos sobre sobrenome de filhos. Ele é Japonês e passou mais da metade da vida nos EUA. Nenhuma das culturas com a qual ele cresceu usam comumente o sobrenome duplo. Eu, vocês já sabem rsrs Sempre foi concordância mútua que nossos filhos não teriam nome composto ou o que aqui nos EUA chamam de "nome do meio." No entanto, quando grávida, marido sugeriu que, como eu queria que nosso filho tivesse um dos meus sobrenomes, nós poderíamos colocar o meu sobrenome como nome do meio e o sobrenome dele. Claro que não concordei. Verdade seja dita, meu marido nunca argumentou comigo sobre o sobrenome do Pandinha. Ele sempre soube o quanto era importante para mim meu filho ter meu sobrenome. Ele, mesmo sem eu precisar dizer isso, entende que eu deixei muito para trás para estar aqui e se um sobrenome era algo tão importante para mim, virou algo importante para ele também e assim nosso pequeno tem dois sobrenomes e sem hífen. Problemas? Nenhum :-) o nome dele é curto, cabe em todos os documentos. Confusão? As vezes as pessoas não sabem como chamá-lo e usam um nome ou outro e algumas vezes apenas o primeiro nome. Isso incomoda? De forma alguma! Talvez, quando mais velho, ele escolha usar só um sobrenome. Talvez ele tenha as neuroses da mãe e supervalorize os dois nomes, mas estas respostas só vão vir no futuro. Por hora, seguimos super felizes e sem problemas com nossos sobrenomes!

Friday, March 31, 2017

Atraso de fala

A fala é apenas um fator do complexo sistema de linguagem. A aquisição de linguagem é um processo cheio de marcos específicos. Como e quando cada criança atinge estes marcos são influenciados por diversos fatores individuais e coletivos. É muito difícil dizer com precisão quando cada criança deve atingir cada um destes marcos, portanto, o que existe são escalas de estimativas de quando cada marco deve ser atingido. Os distúrbios relacionados à linguagem podem afetar qualquer um dos itens relacionados ao complexo sistema e cada um destes itens podem ser afetados de diversas formas também.

Qual a melhor forma que podemos identificar se há de fato um distúrbio de linguagem nos nossos filhos? A primeira coisa, para mim, é não tentarmos nos convencer de que tudo é normal e que cada criança tem seu tempo. Eu também acho que cada criança tem seu tempo para tudo, mas quando a criança está muito fora da curva média, é importante sim os pais se aprofundarem mais nas suspeitas. Eu vejo diversas mães comentarem sobre suas suspeitas dos filhos estarem com atraso de fala e a maior parte dos comentários para estas mães são: "desencana, cada criança tem seu tempo e meu filho/sobrinho/vizinho/filho do amigo (encaixem quem quiser aqui) também demorou para falar e hoje está tudo bem." É sim reconfortante ouvir as pessoas dividirem suas histórias de sucesso. Ajuda muito saber que sua família não é única, no entanto, eu fico bem preocupada com esta história das pessoas insistirem que uma criança muito fora da curva média dos marcos da fala não têm atraso de fala. Atraso não é distúrbio e as pessoas agem como se as duas palavras fossem sinônimos. Eu costumo fazer uma analogia boba para explicar esta coisa do atraso. As pessoas recebem um convite para uma festa e no convite diz para os convidados chegarem entre 19 e 19:30. Digamos que 15% dos convidados chegaram as 20hs, como vários deles chegaram ao mesmto tempo, isso quer dizer que eles não estavam atrasados? Claro que não, não é mesmo? Qualquer um que chegou depois das 19:30 chegou atrasado. Isto é a mesma coisa quando falamos que uma criança está com atraso de fala: para a idade dela, ela está fora da curva média dos marcos. Quer dizer que a criança tem algum distúrbio de fala ou linguagem? Só quem pode nos ajudar com esta resposta são os profissionais especializados na área. Quando se diz que uma criança está com atraso de fala, a única coisa que está sendo dita é que a criança está desenvolvendo a fala em um ritmo abaixo da média, e aí cabe aos pais irem atrás para identificar se há um problema que precisa de intervenção ou não.

Toda esta introdução para falar que Pandinha tem atraso de fala. Felizmente, ele tem apenas um atraso e não um distúrbio de linguagem. É muito difícil pontuar exatamente o que está causando este atraso dele. Cientificamente, não há nenhum fator que indique que ensinar mais de uma língua vai causar atraso de fala, no entanto, é comum ver crianças bilingues que demoram um pouco mais para dominar a fala. A fala do Pandinha começou a nos dar sinais de que algo estava fora do esperado por volta dos 18 meses de idade. E sim pessoal, 18 meses é novinho, mas eles já estava expressando sinais de que a conexão entre o que ele entendia e o que eles expressava não estavam seguindo o mesmo ritmo. Conversamos com a pediatra dele e ela nos pediu para observarmos ele mais atentamente e verificar qual estava sendo a evolução dele dentro de um período de 3 meses. Dentro deste período veio a mudança para Rochester e com ela, procura de novo pediatra. Portanto, ao invés de 3 meses, nós só voltamos ao médico 5 meses depois. A pediatra conversou com a gente, novamente Pandinha fez os testes básicos de desenvolvimento e principalmente porque ele estva ficando bem frustrado por não conseguir se comunicar, a pediatra achou que talvez fosse interessante ele fazer uma avaliação mais detalhada e se algo fosse identificado, que ele começasse a receber algum tipo de tratamento. A pediatra, então, nos encaminhou para um serviço excelente que existe em todo o EUA e se chama Early Intervention.

Early Intervention é um programa oferecido pelo distrito escolar de todas as cidades do país. É um grupo multidisciplinar que trabalha com bebês e crianças antes dos 3 anos que apresentem algum tipo de atraso de desenvolvimento ou algum tipo de deficiência. O interessante do programa é que você não precisa esperar que um médico te indique para ser avaliado por uma equipe deles, não, é só colocar no Google: Early Intervention e o nome da cidade, pegar o telefone deles e você mesmo pode pedir uma visita da equipe. O serviço é 100% gratuito! Uma vez que você entra em contato com eles, eles agendam uma visita em sua casa para avaliar a criança e determinar se há de fato um atraso e ou deficiência e se a criança qualifica para receber tratamento. Eles então fazem testes muito mais detalhados com as crianças para determinar o possível problema.

No nosso caso, vieram em casa uma pedagoga, psicóloga e fonoaudióloga. Isso mesmo, eles fazem todos os testes em casa ou onde for mais conveniente para criança e família. Pandinha, felizmente, estava na média ou acima da média para quase todos os traços avaliados, portanto, foi descartado ele estar em algum espectro autista ou algum outro tipo de deficiência. As profissionais que o avaliaram de fato identificaram que havia um atraso de fala e que seria de grande ajuda para o o pequeno receber tratamento. As consultas são realizadas em nossa casa, e a pedagoga e fonoaudióloga vêm nos ver duas ou três vezes por mês. Para nosso Pandinha tudo é uma grande brincadeira, e as profissionais já são amigas dele. Estamos fazendo consultas desde Janeiro e temos visto grandes progresso. Acho difícil pontuar o quanto deste progresso é pelo tratamento e o quanto é o desenvolvimento dele mesmo, mas é um alívio saber que ele está recebendo o tratamento adequado e que ele está evoluindo.

Nos últimos 9 meses, nós escutamos muito para não nos preocuparmos e a verdade é que o atraso de fala dele nunca foi algo que nos tirou o sono, mas sabemos da importância de um diagnóstico precoce para casos de deficiências e a importância do tratamento adequado para o avanço no presente e no futuro acadêmico de um indíviduo. Estamos extremamente satisfeitos com o serviço e felizes que pequeno está recebendo a atenção que precisa!!